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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

2 Coelhos (2012)

Antes de falar propriamente sobre o filme, gostaria de fazer um protesto: por que lançar um filme deste naipe bem no meio da temporada pré-Oscar®? Enquanto as distribuidoras Hollywoodianas investem em milhões em divulgação e salas, "2 coelhos" fica com uma fatia irrisória de exibição. Injusto demais, pois é um baita filme. O estreante diretor (de cinema, já que tem uma bagagem na publicidade) e roteirista Afonso Poyart pegou tudo o que é geek que gostamos: quadrinhos, espadas samurais, explosões, tiros, video game, narrativa não cronológica - e fez cinema pipoca de primeira!
É bem difícil fazer uma sinopse porque tenho receio de delatar algum spoiler, e "2 coelhos" merece ser visto de forma inédita. A cada capítulo (A La Tarantino) é revelada um peça deste quebra-cabeça, que, como diz Edgar (Fernando Alves Pinto), protagonista desta história, só é entendido quando completo, revelado. Edgar tem um plano justiceiro de vingança que envolve uma promotora (Alessandra Negrini), um advogado (Neco Villas Boas), bandidões, um deputado, um policial corrupto, uma esposa insatisfeita e um professor universitário (Caco Ciocler). Personagens, digamos, comuns bem apresentadas e não caricatas, até porque não se trata de comédia, e sim, de ação. E acredite, todas tem conexão e lógica (com alguma licença poética, é verdade), basta não piscar os olhos, pois o longa é muito dinâmico.
O filme ainda conta com uma trilha sonora bem apropriada, acompanhando adequadamente cada sensação do expectador. Destaque para os momentos de "reflexão", quando tive a impressão de fazer "deboche" do clichê.
Efeitos visuais bem feitos inspirados em Frank Miller (Sin City), Robert Rodriguez (Era uma vez no México) e Zack Snyder (300), e tomadas que lembram Danny Boyle (127 horas) completam esta fita surpreendente.
Já tínhamos visto em "Tropa de Elite", e "2 coelhos" ratifica que o cinema nacional é capaz de produzir muito além de episódios humorísticos estendidos e de filmes que parecem novelas.Yes, we can!

Assista ao trailer:


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes - O Jogo das Sombras (2012)

Assistir ao primeiro Sherlock Holmes (2009) de Guy Ricthie não é uma exigência para assistir ao mais novo, em cartaz em todo Brasil desde sexta-feira 13 de janeiro. As novas aventuras do detetive mais famoso do mundo (Robert Downey Jr - Homem de Ferro) e seu fiel amigo Dr. Watson (Jude Law - Contágio) não se tratam de propriamente uma continuação, mas sim de entretenimento naturalmente blockbuster. 
O suicídio de um importante político deixa Holmes com a pulga atrás da orelha, que tem certeza de se tratar de um assassinato arquitetado pelo engenhoso Professor Moriarty, dentre outros crimes que assolam a Europa.
Diferente porém da primeira fita, o diretor Guy Ritchie deixa um pouco de lado as deduções "elementares" de um genial Holmes, colocando pingos nos "i"s para cada passo para a solução do mistério, e dando mais ênfase a um detetive mais ágil e mais brigão.
Surpreendentemente, uma das melhores cenas de briga não é travada a socos, pontapés, espadas ou revólveres, mas uma batalha mental refletida em um tabuleiro de xadrez cheia de tensão entre o mestre do crime Professor Moriarty e Sherlock Holmes.
Destaque para a introdução da personagem Mycroft Holmes, gorducho e despretensioso, porém leal irmão de Sherlock, vivido por Stephen Fry, que rende boas risadas.
Mais ação e menos dedução não é bom nem ruim. É divertido e ponto!
Assista ao trailer:

domingo, 25 de dezembro de 2011

Missão Impossível: Protocolo Fantasma (2011)

Dificilmente uma continuação supera o original. Além disso, é recorrente que a franquia se perca. Foi assim com os dois filmes anteriores de Missão Impossível: o segundo filme avacalhou demais com as "impossibilidades", e o terceiro foi mais romântico do que um filme de ação deveria ser. Este quarto filme Missão Impossível: Protocolo Fantasma parece querer voltar a excelência da série, com bastante mérito.
O diretor novato em live action Brad Bird (mas experiente e reconhecido diretor de animações, dono de dois Oscar®) adicionou a tradicional fórmula de geringonças, máscaras e explosões um tom de humor sem exageros, que muito caiu bem. Afinal, lidar com tantos apetrechos, é humano que se atrapalhe.
Outro fator que chama a atenção são as locações. O filme começa na Rússia, onde Ethan Hunt, mais um vez vivido por Tom Cruise, estava preso. Após libertar-se, se envolve em uma confusão diplomática e se junta a outros agentes de passado duvidoso. Com a turma completa por Brandt (Jeremy Renner, Guerra ao Terror), Benji (Simon Pegg, Star Trek) e Jane (Paula Patton, Preciosa), segue para Dubai e Bombaim, e acreditem, de forma cronológica e completamente inteligível para evitar uma tragédia nuclear.
Todas as cenas de ação são super bem coreografadas e nada enfadonhas, remetendo àquela famosa cena do primeiro filme em que Ethan está pendurado em uma sala termossensível. Inclusive, foi amplamente divulgado que Tom Cruise dispensou dublês em várias delas, o que passa mais realidade ao expectador.
A trilha sonora vai bem nos momentos de ação, mas quando as personagens remetem à reflexão ou ao sentimentalismo, as canções são percebidas mais que deveriam, tirando alguns pontinhos desta produção.
No geral, M: I4 vale o ingresso e a pipoca!

Assista ao trailler:





terça-feira, 20 de setembro de 2011

TROPA DE ELITE 2 (2010)

Tropa de Elite 2 é a continuação do homônimo de 2007, vencedor do Urso de Ouro de Berlim. Se no primeiro a ênfase era na procura e na formação do substituto do herói Capitão Nascimento, oficial do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que disseminou vários jargões como "pede pra sair"e "põe na conta do Papa", este segundo fala de um problema bastante em voga na mídia brasileira após a morte da Juíza Patrícia Acioli: as milícias. Nascimento agora é Tenente Coronel da Reserva e atua na Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, onde descobre um terrível esquema, composto incluse por colegas de farda.
Para a cerimônia em fevereiro da entrega do Prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, o Oscar 2012, esta trama percorreu metade do caminho nesta terça-feira. Tropa de Elite 2 foi o filme escolhido pela Comissão Especial de Seleção, formada pela secretária do audiovisual do Ministério da Cultura, dentre outras autoridades, para passar (ainda) pela seleção do colegiado da Academia.
Entre outros filmes que disputavam a vaga estavam: Bruna Surfistinha, VIPS, Assalto ao Banco Central. Foi unânime a decisão da Comissão. Tirando VIPS, por causa e exclusivamente do seu protagonista, que, diga-se de passagem, é o mesmo ator protagonista de Tropa de Elite 2, não tinham a menor chance. Eu teria "pedido para sair".
Por falar em protagonista, o Tenente Coronel Nascimento, vivido pelo melhor ator da atualidade do Brasil, Wagner Moura (O Homem do Futuro), é só o primeiro ponto positivo do longa-metragem. Quem conhece o cotidiano de um quartel identifica facilmente seus trejeitos e seu linguajar. Impecável. E quem não conhece consegue perfeitamente imaginar alguém como Nascimento. Não só Nascimento, como tantas outras figuras presentes na fita: o político defendedor dos direitos humanos, o repórter sensacionalista, políticos comprando votos... Todos compostos de forma magistral.
A montagem não cronológica é muito legal; provoca a plateia ao mudar suas expectativas. A trilha sonora dita o ritmo do longa.
De brinde, observe a hora em que Nascimento chega a uma churrascaria, quem faz uma ponta : Rodrigo Pimentel, ex-policial militar, coautor do livro Elite da Tropa que deu origem ao filme, e hoje, comentarista da Rede Globo.
Se Tropa de Elite 2 conseguir ser indicado a melhor filme estrangeiro coroará este momento que nós brasileiros vivemos, de intolerância a corrupção.

Agora o bicho vai pegar!!!





segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A ORIGEM (2010)

Este filme é a grande estreia da semana nos canais de TV por assinatura, mais precisamente na rede HBO. Trata de uma trama inédita (acredito eu): Leo DiCaprio vive o agente Cobb, que lidera uma turma que domina a arte de entrar nos sonhos das pessoas e roubar ideias e segredos empresariais. Só que desta vez, eles serão contratados para implantar uma ideia, daí o nome do filme em inglês, The inception, ou o início, a criação, o começo. 
A Origem é dirigido pelo ótimo Christopher Nolan do igualmente louco Amnésia (2000), do instigante O Grande truque (2006) e dos novos macabros Batman Begins (2005), Dark Night (2008) e Dark Knight Rises, este último com estreia prevista para 2012. Como é possível observar pela filmografia do diretor, o cara é fera em conduzir montagens e flashbacks, de forma que se o espectador piscar, perde o fio da meada.
O filme é rápido, apesar das duas horas e vinte e oito minutos, e visualmente impressionante. Não é a toa que levou metade das oito estatuetas que concorreu no Oscar® de 2011, competindo inclusive na categoria Melhor Filme e conquistando os prêmios de melhor fotografia e melhores efeitos visuais.
Além disso, a fita é cheia de sacadas: uma das canções que compõe a trilha sonora é da cantora Piaf, que já foi interpretada nas telonas por Marion Cotillard, que também faz parte do elenco; o nome de Ariadne, uma jovem contratada para compor a equipe como "arquiteta dos sonhos", é uma referência a figura mitológica grega que salava seu amor, o herói Teseu, de um labirinto indecifrável quando este foi mandado como sacrifício ao Minotauro. O nome também é uma referência para a criação de Hugo von Hofmannsthal do mito para a ópera de Richard Strauss Ariadne auf Naxos. A ópera é um teatro no teatro, assim como o filme é um sonho dentro de um sonho.
Infelizmente não há cenas extras durante ou após os créditos que esclareçam o final do filme, só nos restando torcer por uma continuação.
Asssita ao trailler: